O
HELIPONTO E A PONTE PINTADA
(Ivan
Pegoraro)

O que tem haver o
heliponto com a ponte
pintada? Certeza absoluta de que ninguém conseguirá fazer a devida associação.
Mas há entre eles uma grande conexão que chega a surpreender. O heliponto
situa-se aos fundos do prédio do Hospital do Coração e como único na região,
presta relevantes serviços de urgência para o transporte aérea de pacientes
para fins de transferência, não só para este próprio nosocômio, como também
para outros da cidade. Depois de construído, sua altura partindo da calçada
teria de ser de 7 metros, porém constou 7 metros e pouco, o suficiente para a
Prefeitura negar o Alvará de funcionamento, sob argumento entre outros, pasme
os senhores, de que colocaria em risco os pousos dos aviões no aeroporto, e de
Londrina e deste modo impedindo a prestação de serviços com as aeronaves de
socorro (helicópteros). A proprietária do hospital, grupo PH7, leia-se Paulo
Horto Leilões, gestionou de todas as maneiras, inclusive com declarações da
própria Anac e outros laudos técnicos de que aquela diferença não tinha a menor
importância e poderia ser concedido o alvará. Cogitou a Prefeitura até pela demolição
do heliponto.
Enfim, após meses de
reuniões, audiências públicas, certidões, declarações, a empresa mencionada se
viu obrigada a aceitar fazer um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta – para fins
de obter a emissão do alvará de funcionamento do tão esperado equipamento de
socorro. Por meio deste ajustamento, a PH7 se obrigava a reformar todas as
pontes existentes no Igapó 1, 2 e 3 e construir mais duas neste último.
Iniciado os trabalhos para execução dessas obras, foi a empresa alertada pelo
seu jurídico de que não fizesse nada sem antes analisar os projetos das pontes.
Na busca desses projetos constatou-se que não existiam na prefeitura. Não havia
nada com relação às pontes. Ou seja, o município na época da construção dessas
pontes, o fez sem projeto nenhum. Tudo na base do improviso. A PH7 então o que
fez. Primeiro regularizou os projetos das pontes já existentes, depois elaborou
novos projetos para as pontes que seriam ( e estão sendo) construídas e assim
aprovou todo esse acervo junto a municipalidade. As madeiras de sua construção
são de eucalipto tratado
– só isso – custou mais de cem mil reais. A
obra toda estimado em torno de quinhentos mil reais.
Pois bem, caminhando ontem – dia 27/07/2019 -
pelo lago 2 (Higienopolis/Maringá) tomei um susto enorme quando vi que
operários da prefeitura estavam pintando as pontes de branco. Não acreditei e
fui lá em busca de conversa. Após conversar com o responsável – Conrado como se
identificou – muito gentil me informou que a ponte não seria da cor branca não.
Aquilo era apenas o fundo. As pontes seriam...coloridas. Uma seção amarela;
outra vermelha outra azul e etc. Não acreditei diante do absurdo constatado,
ressalvando que esta é a minha ótica. Como colorir pontes em um local tão
bucólico como aquele, substituindo o natural, tratado por uma pintura no mínimo
afrontosa ao meio ambiente?
E mais, duvido
que a Prefeitura tenha alterado os projetos dessas pontes onde constou a sua
naturalidade a fim de que pudesse ser substituído pelas cores do arco-íris.
Ora, ora ora!!!!! Algumas dessas pontes estavam
interditadas antes da PH7 passar a trabalhar nelas,
praticamente a um fio de desmoronarem. Isso
por falta de manutenção e de ação direta da Prefeitura objetivando mantê-las
adequadamente utilizável. O que quero dizer, primeiro, o Prefeito infelizmente
está praticando uma irregularidade alterando o projeto dessas pontes;
segundo, daqui dois ou três anos, ao invés do
envelhecimento da madeira dar aquela beleza natural, estaremos vendo, cores
desbotadas e descascando como lembrança horrorosa desta iniciativa.
E mais, os custos desta intervenção danosa deveria
melhor ser aplicado na recuperação do piso do próprio entorno desse lago.
Enfim... o heliponto nos deu as pontes coloridas de inacreditável mau gosto.
Obviamente, alguns irão gostar.
Mas
vamos ver daqui a alguns anos.