domingo, 19 de maio de 2019


OS PERSONAGENS LONDRINENSES
(Ivan Pegoraro)

Londrina sempre teve personagens interessantes ao longo de sua história. “Caruso” andava descalço pelo centro dando longos gritos falando coisas que ninguém entendia. Era pacato e amigável, sempre tinha um cafezinho e um pastel pago por alguém. “Circuito”  japonesinho mais que amigo, cujo “estremelique” involuntário, certamente algum espasmo orgânico, valeu-lhe o apelido carinhoso. Tinha uma arte incomum de fazer bichinhos de papel, cujo domínio do origami valeu a amizade eterna da molecada. Bastava pedir para fazer um desses bichinhos que “Circuito” fazia, sempre sorrindo de forma amigável. Ficava andando pelo centro da cidade e nos barzinhos de então. O povo contribuía com alegria. E agora o que temos?   No zerão temos o “Embaixada” aquele indivíduo que com fone de ouvidos fica dando voltas e voltas com a bola quicando de um pé ao outro, sem cair, numa arte espetacular, inigualável. Experimente você dar umas cinco ou seis embaixadinhas, que vem a ser o nome deste espetáculo.  E por fim temos o carismático, “Luxemburgo Londrinense”  torcedor ferrenho do Londrina Esporte Clube, que por ser bem parecido com este famigerado e mau humorado personagem do esporte brasileiro na qualidade de técnico, resolveu incorporar o mesmo. Deste modo veste paletó, gravata e fica na borda das arquibancadas, fazendo gestos semelhantes ao Luxemburgo verdadeiro, dando instruções aos gritos aos jogadores do time da casa. Não tem parada. Gira de um lado ao outro em toda extensão das arquibancadas cobertas, sofrendo igual um condenado.  Quando o time ganha, os torcedores cumprimentam nosso “Luxemburgo” pelas instruções berradas do seu local de trabalho. E o que ganham essas pessoas senão garantir uma alegria maior aos londrinenses que frequentam nossos lugares públicos.  O “Embaixada”  deveria ter direito a pelos menos duas água de coco por dia de trabalho nas beiras do Igapó;   “Luxemburgo” por sua vez deveria ter ingresso gratuito no setor das cadeiras cativas.  Afinal suas existências garantem alegria sem nenhum custo a quem os assiste.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

JUIZ DE LONDRINA CONCEDE LIMINAR PARA DESOCUPAÇÃO EM FACE A FALTA DE PAGAMENTO DE ALUGUEL



Proposta ação de despejo por falta de pagamento de aluguel contra empresa locatária, cujo contrato estava desprovido de garantia, foi deferido a desocupação em 30 dias contados da intimação.  Neste prazo poderá a empresa pagar a dívida com todos os encargos, neutralizando assim os efeitos da liminar.  O processo foi patrocinado pelo Escritório Ivan Pegoraro.


quarta-feira, 15 de maio de 2019

JUÍZA DE LONDRINA DETERMINA QUE LOCATÁRIO QUE CAUSA INCÔMODOS DESOCUPE O IMÓVEL EM CARÁTER LIMINAR


            Juiza da 3ª Vara Cível de Londrina, concedeu liminar para locatário e sua família desocupar o imóvel no prazo de trinta dias, sob pena de  despejo por oficial de justiça. A questão apresentada teve como fundamento gritos, alto volume de som, algazarras, pondo em total desassossego os vizinhos. Entendendo que havia prova suficiente no demonstrativo dos fatos, o despejo foi decretado em caráter liminar.   

                    Veja abaixo o despacho e o número do processo: 0018151-87.2019.8.16.0014





JUIZ DE ASSAI DEFERE PENHORA EM FATURAMENTO DE EMPRESA DEVEDORA





sábado, 27 de abril de 2019



VESTINDO   VESTIDOS !!
(Ivan Pegoraro – Londrina)

De repente me vi envolvido com vestidos, sapatilhas, blusas, saias e arquinhos.  Mas, sem sequer relutar um único minuto sequer, percebi que vestir o vestido naquela circunstancia era extremamente agradável e contagiante. Que alegria eu estava. Confesso nunca pensei que vestir vestidos não me fizesse passar vergonha. Obviamente cabe esclarecer aqui que não tenho absolutamente nada com quem gosta de vestir vestidos, seja ele homem ou mulher. O caso em tela envolvia a minha pessoa que ao longo dessas minhas tantas décadas jamais havia vestido – do verbo vestir – vestido.  A atenção estava francamente toda inclinada sobre minha pessoa, que tinha de fazer coincidir o sapato de salto com a saia ou vestido.  A blusa com a cor do cabelo e até o arquinho –tiara chama-se – com o resto da roupa. Se não mantivesse toda a atenção, era imediatamente chamado a atenção. Então prossegui, tentando fazer o melhor sob aqueles olhares atentos.  De repetente ouço um grito estridente e ansioso: “- Vovô você colocou uma sapatinho de cada cor naquela boneca de vestido azul. Presta atenção!!!”   Há!!!! Esqueci-me de dizer, estava com minha netinha Luiza de 4 anos, em meio a essa operação com as bonequinhas Polly, esta febre da petizada, cuja coleção acompanha inúmeros acessórios para você vestir e desvestir as personagens.   Jamais pensei que vestir blusas, vestidos e sapatinhos fosse tão bom, principalmente com esta minha professora.







quarta-feira, 24 de abril de 2019

O FOGO DO INFERNO
(Um história real)
(Ivan Pegoraro)

De fronte a fornalha da padaria de meu pai, as chamas flamejantes e intensas expeliam labaredas formidáveis. Segurando a bíblia com a mão direita, me aproximei daquela bocarra e quase com sentimento de repugnância, lancei-a nas terríveis chamas e a vi serem consumidas em instantes. No dia seguinte, na aula de religião, me aproximei do Irmão Marista Lúcio, meu mestre de religião e relatei a ele que havia jogado a bíblia no fogo. Mas por que isso me perguntou? Ao que lhe respondi. Irmão, você nos ensinou que toda bíblia que não tivesse registrado no início a palavra “imprimatur” seria ilegítima, falsa, punitiva, sacrílega e quem a tivesse em casa iria para o inferno, e não sendo católica romana deveria ser destruída de imediato. Assim o fiz. A bíblia incendiada tinha sido um presente de uma tia, Isaura, irmã de minha mãe que era e hoje com mais de 90 anos continua sendo protestante. O termo imprimatur identifica todas as publicações católicas sob sua responsabilidade e edição. E segundo os ensinamentos dos Maristas daquela época, tudo que fosse contrário, era ilegítimo, falso ou desvirtuado da verdade. Aquela bíblia não continha o Imprimatur, mas sim uma singela e ingênua dedicatória. Lembro-me bem dela. Com o passar dos anos fui raciocinando e até hoje não consigo me conformar de ter feito imensa asneira. Fui levado pela influência de um ensinamento de então. Mas minha consciência jamais me abandonou e sempre que algo neste sentido é levantado, aflora à tona aquele episódio de minha infância. Eu com meus dez anos, incendiando uma bíblia, tão sagrada como qualquer outra de qualquer religião. Hoje com 70 anos, ouso pedir perdão por este ato insano e influenciado de maneira negativa. Se apenas um irmão protestante puder agora me perdoar, estarei à salvo do fogo do inferno. Este fogo que me atormenta desde então.





O DEUS DO OLIMPO ILÓFFOT
(Ivan Pegoraro – Londrina)
Naquele Monte Olimpo, ILÓFFOT era o Deus maior. O Deus principal entre deuses menores. Diante de seu trono pensando em ser maior do que o Rei-Sol, de quem soube por ouvir falar, exclamou “L’État c’est moi" ( O Estado Sou Eu). Seu amigo no recinto não entendeu e com ar de espanto tentou coçar os cabelos. Lembrou, porém que não os tinha. Deu de ombros, ao que Ilóffot gritou de pleno pulmões. “–Mas que barbaridade. O que pensa esse reizinho da França em querer ser mais do que eu. Vai lá e prenda-o imediatamente.” O Deusinho amigo olhou para os demais Deuses menores do Olimpo e percebeu que todos estavam ou coçando as unhas, ou conferindo o telefone celular, alguns pestanejavam. Deixaram para o amigo cumprir a ordem da prisão já que a questão envolvia franceses. Assim retornando ao passado de forma surpreendente pelo buraco negro daquela Corte, o Deus amigo desembarcou no tempo antigo de Luiz IV e procurando-o pessoalmente apresentou-lhe a ordem de prisão emitida pelo Deus dos Deuses. “-Mas como isso é possível” exclamou o Rei-Sol. “- sem processo, sem julgamento, sem instrução. Nós não estamos no século XXI, nem naquele país tropical.” Imediatamente, como sua majestade não é bobo nem nada, foi até a balaustrada frontal de seu castelo e bradou em alto e bom som para todos seus concidadãos. “-Povo da França. Me ajudem. O Deus Illófot do Monte Olimpo me mandou prender, pois quer ser mais do que eu.” O povo escutou com atenção aquele grito de socorro e diante da possibilidade do estrangulamento do Rei que representava todos franceses, não se acovardou. Correram em sua direção, fizeram com seus corpos um escudo protetor e não só impediram a prisão do Rei-Sol, como também escorraçaram com o Deus Menor, mando-o para os quintos do Monte Olimpo. Há sim, os demais Deuses menores continuaram a limpar as unhas, formar boca de trombone e consultar o smarthpone para ver o que a mídia estavam falando deles.